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| (Foto:Vitor Costa) |
Aos 31 anos, Charles
Chad, do Duque de Caxias, diz que maior dedicação fez fase mudar
e espera proposta para dar salto financeiro: 'Estou ansioso'
Sem o brilho das
estrelas na Taça Rio, o Campeonato Carioca vê no páreo pela
artilharia um nome pouco conhecido do público. Charles Chad, de 31
anos, disputa a competição pela quinta vez, mas jamais viveu uma
fase tão positiva. Os oito gols em 12 partidas o colocaram na cola
de Hernane, do Flamengo, que tem nove e estacionou no topo da
artilharia. A possibilidade de abocanhar a honraria, no entanto, vem
acompanhada de um sonho maior: finalmente ter a chance de assinar um
contrato com um clube grande e mudar de vida. Hoje,recebe
R$ 1,2 mil na carteira de trabalho, segundo o aditivo registrado
na Federação do Rio.
Morador de Campo
Grande, o camisa 9 do Duque de Caxias, autor de 61% dos gols da
equipe no estadual até aqui, fez questão de parar seu carro num
posto de gasolina do bairro Vila Kennedy, na Zona Oeste, para falar
com mais calma com a reportagem doGLOBOESPORTE.COM.
Ele voltava de Xerém, onde fica o Marrentão, estádio e CT de seu
time, que homenageia Romário, sete vezes no topo da lista de
goleadores que persegue.
Chad é um andarilho da
bola. Grandalhão desde a adolescência, sempre teve vocação para
balançar as redes. Aos 18 anos, saiu do Madureira direto para a base
do Porto, de Portugal. Emprestado depois ao pequeno Vilanovense, não
emplacou. O contrato acabou, e ele voltou ao país para defender o
Botafogo-PB. Da experiência, pelo menos, lembra que conheceu e
dividiu casa com Hulk, constantemente convocado para a Seleção,
então com 15 anos.
Esbanjando sinceridade,
credita o momento a maior dedicação ao futebol que passou a ter.
- O que mudou foi que
eu me preparei bastante para essa temporada, estou adaptado ao clube
e com mais experiência pela minha rodagem. Era a hora de trabalhar
muito mesmo, porque não estou mais para brincadeira. Tenho que
pensar no meu futuro e no da minha família. Tenho me dedicado e
pensado mais profissionalmente. Uma coisa que eu não fazia antes era
ficar finalizando depois do treino, era um dos primeiros a ir embora.
Eu era muito ansioso, relaxado, mas mirei o foco e estou no caminho
certo - admite o atacante.
Pai de duas filhas,
Chad garante nunca se deixou levar pelas tentações extracampo.
Sempre fui tranquilo,
casei novo, com 18 anos, então não era isso, não. Mas no mundo do
futebol tem que ter força maior, as coisas não caem do céu. Acho
que demorei para aprender isso – revelou.
Além da rápida
passagem pela Europa, que se repetiu no Trofense-POR, em 2009,
Charles Chad coleciona histórias que o enchem de orgulho: foi
artilheiro na Venezuela, onde disputou a Libertadores pelo Mineiros,
e esteve na China antes do "boom" de acordos milionários e
maior desenvolvimento. Não deu certo, voltou logo, mas não se
arrepende das escolhas.
- Conheci muitos
lugares, muita gente. Para o bem e para o mal. Ir para a China foi um
pulo financeiro, apesar de não ter sido como esperava. Tive grande
fase na Venezuela. Posso dizer que vi o Jardel treinar de perto
quando ele era artilheiro no Porto. Também fiz um teste no Flamengo
com Julio Cesar e Adriano, que ainda era lateral-esquerdo, ao meu
lado no juvenil, além do Hulk, que virou um amigo. Cuidou de mim
quando operei o púbis. Vivíamos num regime de Big Brother num
cubículo em Portugal. Era difícil, mas valeu a pena - conta ele,
que também vestiu a camisa do Ceará e do Campinense.
No Macaé, em 2011,
ganhou a fama de talismã após estrear livrando o Macaé da degola
para a Série C do Brasileiro com dois gols no segundo tempo num 6 a
4 incrível contra o Marília.
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| (Foto: Fabio Castro / Agif / Agência Estado) |
Poucos
goleadores azarões na história
Faltam duas rodadas
para o fim do Carioca para Duque e Flamengo, eliminados por
antecipação em meio a campanhas ruins. Chad evita provocar Hernane,
mas quer unir a artilharia à fuga do rebaixamento, já que seu clube
está apenas em 14º no geral.
- É uma briga boa, vai
da estrela de cada um. Diria que é uma briga de gigantes.
Atrás da dupla estão
Bernardo, do Vasco, com sete gols; e Gilcimar, do Boavista, Sérgio
Junior, do Bangu, e Marcel, do Resende, com seis. Destes, só o
último deve avançar às semis. Lodeiro e Seedorf têm cinco e de
longe ameaçam os concorrentes caso arranquem, uma vez que o Botafogo
é o campeão da Taça Guanabara e já está classificado na Taça
Rio.
No ano passado, um
atacante de time pequeno cravou seu nome na história. Com 12 gols,
Somália dividiu o posto com Alecsandro, do Vasco. Antes, Marcelo, do
Madureira, fez o mesmo com Dodô, do Botafogo, em 2007. No século, o
triunfo de um azarão isolado só ocorreu em 2002, no famigerado
Caixão, com Fábio, do Volta Redonda. Antes, há 30 anos, Luizinho
Lemos, do América, foi o último em época áurea na qual o Diabo
disputava a Série A do Brasileirão.
- Jogar em um dos
grandes do Rio ou de qualquer lugar do país é meu grande objetivo.
As especulações são muitas, mas de concreto, nada. Tenho que ter
cautela. Futebol é momento, e quero resolver logo. Mesmo os
problemas financeiros dos clubes não assustam. Time grande é time
grande. O resto a gente arruma, senão os que estão lá teriam ido
embora - acredita Charles Chad.
O estilo trombador é a
marca registrada. Embora o golaço sobre o Flamengo,
no domingo passado, tenha sido digno de Fred, do Fluminense, seu
espelho atual.
- Todos os meus gols
foram de dentro da área, mas saí um pouco mais e ajudei. Tipo Fred,
que é completo e parece que joga no PlayStation, de tanta
tranquilidade e categoria - brincou.
O próximo desafio é
neste sábado, diante do Boavista, em Bacaxá, enquanto Hernane tem o
Fla-Flu pela frente, domingo, em Volta Redonda. Façam suas apostas.
Fonte:Globoesporte.com


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